O POÇO DOS DRAGÕES


Meia hora depois, Felipe chegou. Trazia com ele um daqueles megadróides inimigos de Ben 10, o Boss. Patrick foi logo perguntando:
- Quem te deu este megadróide, Felipe?
- Meu tio.
- Ele solta lasers pelas mãos?
- Não.
- Então não presta!
- Presta sim. Ele faz furacões com as pernas.
- É mesmo?
- Brincadeira. – Riu.
Eles caminharam na direção do quarto. Patrick se agachou e puxou uma caixa de papelão grande, cheia de brinquedos velhos, que estava embaixo da cama. Remexeu até encontrar um arco ãopequeno e uma espada de madeira.
- Tome! – Entregou a espada ao primo.
- Pra quê? Já tenho meu megadróide.
- Ele solta raios azuis?
- Não.
- A minha espada solta. Você vai precisar dela.
- Pra quê?
- Pra gente lutar contra o dragão.
- Dragão? Que dragão? – Perguntou com medo.
- Larga de ser medroso, Felipe. É um casal de dragões que moram no poço do quintal. A gente vai acabar com eles antes que eles invadam a Terra.
- Não existe dragão no quintal.
- Existe sim. Eu mesmo já vi.
- Viu?
- Nos meus sonhos.
- Sonhos? E quem disse que sonho é de verdade?
- O meu é. – Ele pendurou o arco no ombro e foi saindo do quarto. – Vem comigo. Eu vou te mostrar.
- Eu? – Felipe sentou na cama.
- Você é homem ou não é?
- Sou um menino. – Riu de novo.
- Então eu vou sozinho. – Saiu em passos largos para o quintal. Felipe não teve outra alternativa, senão segui-lo. Os dois abriram o portão de madeira que separava a cozinha do quintal e foram se aproximando, vagarosamente, do poço antigo. Antes, pararam embaixo de uma sapucaia de folhas grandes e carnosas de um violáceo-pálido. A árvore, também chamada de Cumbuca-de-macaco, servia de abrigo para um casal de Maçaricos-do-bico-torto.
- É ali que eles estão. – Patrick sussurrou, apontando para o poço antigo.
- Como você sabe? – Indagou Felipe baixinho.
- Minha mãe me disse, meu avô contava e meus sonhos também.
- Dragões não existem! Nem os da televisão são de verdade. – Insistia Felipe.
- Silêncio! – Ele colocou o dedo cruzando a boca. De repente, a brisa cessou. Os pássaros pararam de gorjear. Os olhos dos meninos arregalaram. Patrick, de preto, ficou branco; Felipe quase urinou nas calças; o casal de Maçaricos-do-bico-torto se assustou. O rugido que ecoou do poço não parecia de um boi; nem tampouco de um leão. Era tão forte que as tábuas que fechavam o poço estremeceram.
- Roaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!!
Patrick procurou algo para se segurar. O coração batia mais forte que o despertador de seu pai. Quando olhou para Felipe, o primo já tinha fugido. Correu mais rápido que o papa-léguas para casa. O segundo rugido veio mais forte e mais demorado. Uma fumaça parecida com a de uma panela-de-pressão escapou pelas aberturas das tábuas do poço. Patrick largou o arco e a coragem embaixo da Cumbuca-de-macaco  e voltou apavorado para casa. Será que o dragão sabia que eles estavam ali?
(Trecho de uma pequena história que estou escrevendo entitulada: "O menino que sonhava com dragões" que poderá ser lançado em breve)

Comentários

  1. Pawlo cara, que coisa gostosa de se ler, muito boa essa sua vertente literária dedicada ao publico infanto-juvenil. Tenho um conto chamado "Mendigo cadente" que talvez possamos encenar algo com ele. Abraços cara e produtividade sempre

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