segunda-feira, 20 de agosto de 2012

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "O SEQUESTRO DOS RAIOS DE SOL" NA FEIRA LITERÁRIA LER AMADO

No dia 09 de agosto contei histórias para um grupo de crianças da escola pública. Na oportunidade, além de sortear um livro, apresentei meu mais novo rebento: "O Sequestro dos Raios de Sol", uma peça de teatro que transformei em literatura.

 Alguma coisa de ruim está acontecendo na floresta...

 Quem foi que sequestrou os raios de sol?

Quem é o culpado pela destruição da camada de ozônio?

 Quem obriga populações inteiras de insetos e animais a fugirem do seu habitat natural?

 Quem são os responsáveis pela mudança dos leitos dos rios?


Todas as respostas estão em "O Sequestro dos Raios de Sol", já à venda na Editora Via Litterarum e na Livraria Papirus, em Ilhéus, na Bahia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

NOITE DE AUTÓGRAFOS DE "A CASA DE SANTINHA"

No último dia 19 de maio, às 19h00, foi lançado "A Casa de Santinha", na Casa dos Artistas, ao lado de mais cinco escritores grapiúnas. Foi uma noite animada, com a participação do Grupo Maktub.














sábado, 14 de abril de 2012

A POLÍTICA DO TEATRO E O TEATRO DA POLÍTICA

Cena da peça "O Inspetor Geral", de Romualdo Lisboa
Para entender o enunciado acima, é preciso primeiro entender o conceito de Política. A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “polis”, nome do qual se derivaram termos como “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos). No sentido comum, vago, e às vezes um tanto impreciso, política, como substantivo ou adjetivo, compreende arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores. É o que diz a Wikipédia.
Pois bem, tomando-se política no sentido etimológico do termo, concordar-se-á que todo Teatro é necessariamente político, visto que ele insere os protagonistas na cidade ou no grupo. A expressão designa, de maneira mais precisa, o teatro de agit-prop (termo proveniente do russo agitatsiya-propaganda/agitação e propaganda. É também uma forma de animação teatral que visa sensibilizar um público para uma situação política ou social, como as peças “Teodorico Majestade” e “O Inspetor Geral”, do Teatro Popular de Ilhéus), o teatro popular, o teatro épico brechtiano e pós-brechtiano, o teatro documentário, o teatro de massa, o teatro de político-terapia de Augusto Boal. Estes gêneros, segundo Patrice Pavis, têm características comuns a uma vontade de fazer com que triunfe uma teoria, uma crença social, um projeto filosófico. A estética é então subordinada ao combate político até o ponto de dissolver a forma teatral no debate de ideias.
Toda essa premissa fez-me analisar situações na Política do Teatro onde encontramos atores, atrizes e, sobretudo, diretores, que acreditam no processo de criação como a arte de fazer de qualquer jeito, para um público que ver de qualquer jeito. E não é diferente do Teatro da Política onde se faz de tudo para se alcançar um objetivo, mesmo que os meios ou os princípios precisem ser ignorados. Não sei fazer política – como bem a entendem meus amigos Silmar e Odilon – mas, por força do meu trabalho, faço política na arte em que exerço. Não, por uma questão de princípios, mas, por entender que ela não está separada da Cultura. Mesmo que alguns intelectuais ou artífices pensem de forma divergente.
Afinal, faço política desde que montei minha primeira peça “politicamente incorreta”: A Piranha e o Baiacu, em 1988. É fato que, se Antonio Olímpio tivesse assistido, diria que criar um prato com esses peixes, seria algo, no mínimo, esdrúxulo. Embora a peça trata-se de um tema conhecido de todos: o amor impossível.
Por fim, tanto no Teatro, como na Política, estabelecemos um jogo onde são lançadas as peças. Entretanto, não devemos esquecer que – como bem afirmou Maquiavel – a Política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder.
O Teatro é a arte de conquistar, manter e exercer uma atividade em busca de sentido.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O POÇO DOS DRAGÕES


Meia hora depois, Felipe chegou. Trazia com ele um daqueles megadróides inimigos de Ben 10, o Boss. Patrick foi logo perguntando:
- Quem te deu este megadróide, Felipe?
- Meu tio.
- Ele solta lasers pelas mãos?
- Não.
- Então não presta!
- Presta sim. Ele faz furacões com as pernas.
- É mesmo?
- Brincadeira. – Riu.
Eles caminharam na direção do quarto. Patrick se agachou e puxou uma caixa de papelão grande, cheia de brinquedos velhos, que estava embaixo da cama. Remexeu até encontrar um arco ãopequeno e uma espada de madeira.
- Tome! – Entregou a espada ao primo.
- Pra quê? Já tenho meu megadróide.
- Ele solta raios azuis?
- Não.
- A minha espada solta. Você vai precisar dela.
- Pra quê?
- Pra gente lutar contra o dragão.
- Dragão? Que dragão? – Perguntou com medo.
- Larga de ser medroso, Felipe. É um casal de dragões que moram no poço do quintal. A gente vai acabar com eles antes que eles invadam a Terra.
- Não existe dragão no quintal.
- Existe sim. Eu mesmo já vi.
- Viu?
- Nos meus sonhos.
- Sonhos? E quem disse que sonho é de verdade?
- O meu é. – Ele pendurou o arco no ombro e foi saindo do quarto. – Vem comigo. Eu vou te mostrar.
- Eu? – Felipe sentou na cama.
- Você é homem ou não é?
- Sou um menino. – Riu de novo.
- Então eu vou sozinho. – Saiu em passos largos para o quintal. Felipe não teve outra alternativa, senão segui-lo. Os dois abriram o portão de madeira que separava a cozinha do quintal e foram se aproximando, vagarosamente, do poço antigo. Antes, pararam embaixo de uma sapucaia de folhas grandes e carnosas de um violáceo-pálido. A árvore, também chamada de Cumbuca-de-macaco, servia de abrigo para um casal de Maçaricos-do-bico-torto.
- É ali que eles estão. – Patrick sussurrou, apontando para o poço antigo.
- Como você sabe? – Indagou Felipe baixinho.
- Minha mãe me disse, meu avô contava e meus sonhos também.
- Dragões não existem! Nem os da televisão são de verdade. – Insistia Felipe.
- Silêncio! – Ele colocou o dedo cruzando a boca. De repente, a brisa cessou. Os pássaros pararam de gorjear. Os olhos dos meninos arregalaram. Patrick, de preto, ficou branco; Felipe quase urinou nas calças; o casal de Maçaricos-do-bico-torto se assustou. O rugido que ecoou do poço não parecia de um boi; nem tampouco de um leão. Era tão forte que as tábuas que fechavam o poço estremeceram.
- Roaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!!
Patrick procurou algo para se segurar. O coração batia mais forte que o despertador de seu pai. Quando olhou para Felipe, o primo já tinha fugido. Correu mais rápido que o papa-léguas para casa. O segundo rugido veio mais forte e mais demorado. Uma fumaça parecida com a de uma panela-de-pressão escapou pelas aberturas das tábuas do poço. Patrick largou o arco e a coragem embaixo da Cumbuca-de-macaco  e voltou apavorado para casa. Será que o dragão sabia que eles estavam ali?
(Trecho de uma pequena história que estou escrevendo entitulada: "O menino que sonhava com dragões" que poderá ser lançado em breve)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

TODO MUNDO QUER UMA PONTA


Cerca de mil e noventa e seis pessoas se cadastraram na pesquisa para figuração que uma produtora terceirizada da Globo realizou na última quinta-feira em Ilhéus. Foi interessante observar como todo mundo quer uma “ponta” na nova novela das onze horas que terá algumas cenas gravadas nas roças de cacau. E, de fato, será mesmo uma “ponta” já que aqueles que forem escolhidos pela assistência de direção apenas farão lavadeiras, trabalhadores rurais e peões. Os figurantes são o pano de fundo das cenas principais.

A “ponta” é uma gíria teatral - e também de televisão - que se usa para indicar aquele que terá um papel pequeno, sem qualquer fala. Diferente do “ponto” que era aquele que antigamente lia em voz baixa as falas do texto que deviam ser repetidas em voz alta pelo ator. O ponto ficava instalado num alçapão localizado no centro baixo do palco, escondido do público por uma proteção curva que ajudava a projetar o som de sua voz para o fundo da cena. Embora os atores não utilizem mais o recurso do ponto, essa função, hoje em dia, pode ser eventualmente substituída por aparelhagem eletrônica. Em algumas casas de ópera, porém, ainda é usado o ponto tradicional.

A “ponta” é sinônimo de figurante e figuração. É aquele que participa de cenas de multidão preenchendo espaços na composição criando climas ou compondo a ambientação. O conjunto de figurantes de um espetáculo teatral ou ópera é também chamado de figuração.

No linguajar teatral também utilizamos um outro sinônimo para “ponta”. Trata-se da “comparsaria”, que também é o nome dado ao conjunto de atores que tomam parte no espetáculo em aparições esporádicas ou cenas de multidão. Enfim, ponta, figurante, figuração ou comparsaria, o importante mesmo para aquelas centenas de pessoas que compareceram à pré-seleção da novela Gabriela é aparecer. É ser visto.

Infelizmente, o Teatro, não consegue exercer, para a grande maioria da população, o fascínio que a TV exerce. O teatro representa, na televisão, um papel que não deve ser negligenciado. Todo um público só verá teatro sob a forma de uma retransmissão, de uma gravação ou de um teleteatro. Nunca ao vivo. “É capital, como bem afirma Patrice Pavis, refletir sobre as relações destas duas artes e sobre as transformações sofridas pelo evento teatral, quando transformado em programa de TV.”

A telinha, no coração da casa, é o ponto (não o “ponto”) de atração e o cordão umbilical que liga a alguém nalgum lugar que mal situamos. No Teatro, o próprio espectador faz sua triagem nos signos da representação, na televisão (como no cinema), uma crítica do sentido já foi efetuada para ele no enquadramento, na montagem, nos movimentos de câmera.

De qualquer sorte, eu ainda prefiro o Teatro. Mesmo que haja “teatro” na televisão e que a última palavra para dar sentido ao espetáculo parta de uma encenação fílmica. Ou a foto acima diz o contrário? Rs.

sábado, 22 de outubro de 2011

Resumo da mesa “Paradidáticos e sua Importância para a Educação” - Ubiratan Castro, Pawlo Cidade e Silvino Bastos



Ubiratan Castro, Pawlo Cidade e Silvino Bastos discutiram o conceito de paradidáticos, seu uso e suas consequências para a educação com a mediação de Nildon Pitombo.

Latidos, miados, batidas de pé, apertos de mão, palmas e uma fábula de Millôr Fernandes são a maneira de Pawlo Cidade, escritor com formação teatral, usou para mostrar, através da interação com o público, o que é possível produzir quando se foge do convencional. Ubiratan Castro explicou que a arte também é uma forma de conhecimento: “nossa epistemologia deve ser baseada na diversidade”, afirmou.

Os autores discutiram o desafio de se fazer literatura para os jovens, que preferem ver filmes a ler livros. Para Pawlo, escrever para a juventude é difícil porque pensamos que estamos produzindo para uma categoria, mas estamos sendo lidos por outra. O paradidático acaba sendo um livro que o aluno tem a obrigação de ler. “Por que indicar um livro em vez de deixar que o ele escolha?”, questionou.
O discurso literário, assim, invade cada vez mais o discurso histórico, tornando-se um desafio para o narrador que está amarrado na pesquisa. “A literatura tende a ser mais universal do que a literatura, explicou o professor Bira.

Silvino culpou a falta de histórias de ficção científica pelo que ele chama de “apagão tecnológico”. Questionou a falta de histórias do cotidiano no lugar das histórias fora do nosso ambiente cultural. Escritor explicou que o paradidático pode melhorar o aprendizado das crianças de maneira real, e mencionou um estudo em que crianças com menor desempenho escolar melhoraram 30% após o uso do paradidático, enquanto as crianças com bom desempenho não apresentaram melhora. Nildon completou: “Cultura não é para ser um objeto da transversalidade na caixinha dos parâmetros curriculares”.

Falando do e-book, os autores discorreram sobre suas crenças na continuidade do livro impresso. Pawlo enfatizou que o livro analógico não tem baterias e não precisa “salvar antes de fechar”. Silvino lembrou que é comum ver pessoas na praia com livros de bolso: “há espaço para todos, e por isso o livro impresso não vai acabar”, comentou.

Os autores encerraram pedindo a todos que lessem mais, especialmente os pais, para servirem de exemplo aos filhos.



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Autores debatem mudanças didáticas para tornar literatura atrativa na escola


 Autores afirmam que professores estão no centro
das mudanças desejadas (Foto: Lílian Marques/G1)

O segundo dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica 2011), nesta quarta-feira (12), começou por volta das 10h no Conjunto do Carmo, na Praça da Aclamação. Mediada pelo assessor especial da Secretaria de Educação da Bahia, Nildon Pitombo, a mesa “Paradidáticos e sua Importância para a Educação” levantou debates sobre o conteúdo dos livros usados nas escolas brasileiras e formas de despertar o interesse dos alunos pela literatura.

Participaram da discussão o historiador baiano, diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC) e membro da Academia de Letras da Bahia, Ubiratan Castro, o escritor, pedagogo e membro da Academia de Letras de Ilhéus, Pawlo Cidade, e o engenheiro, pesquisador e presidente dao Comitê de autores da Câmara Baiana de Livro, Silvino Bastos.

O local da palestra ficou lotado. De acordo com a assessoria do evento, todas as mesas da Flica tiveram as inscrições esgotadas. O auditório tem capacidade para 250 pessoas sentadas. A organização da Flica informou que só vai divulgar o número de pessoas que circularam pela festa após o fim do evento, no domingo (16).

O historiador Ubiratan Castro começou a discussão da mesa falando da importância de retratar a história nos livros didáticos e paradidáticos.“Cultura passa distante dos currículos escolares. Parece que cultura é só o que a lei determina. Não gosto muito da palavra paradidático, prefiro trabalhar com o conceito de literatura científica, que é aquele que apresenta o resultado e o método usado na pesquisa. Só há ciência quando se mostra como foi feito o estudo, como se chegou ao resultado apresentado. Hoje, o trabalho de um historiador é o de um cientista”, diz. 

(...)

O professor e escritor Pawlo Cidade levantou a discussão de que o professor é agente fundamental nesse processo de mudança, de tornar interessante o material e os métodos usados em sala de aula. Cidade fez uma breve demostração do que pode ser feito durante uma brincadeira com o público presente na Flica na manhã desta quarta-feira. Ele usou o texto de uma fábula para estimular os presentes com respostas dadas através de expressão oral e gestos. Em poucos minutos, o que se viu foi um público interado e envolvido com a brincadeira.

“Talvez não tenhamos paradidáticos daqui a alguns anos. A revolução deve passar pelo professor. É preciso se sensibilizar para depois sensibilizar. É dessa forma que trabalho com os meus alunos. É necessário também que o professor goste do que faz. Do contrário, não vai conseguir 'tocar' o aluno. A escola ainda não conseguiu se transformar em um polo produtor de leitores. Isso é preciso”, analisa.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

POEMA SEM POESIA


O grande poeta Fernando Pessoa imortalizou um verso que acusa o poeta de ser um fingidor. “Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.” Talvez, esse não seja um dom somente dos poetas, mas, de todos os artistas. Sobretudo, os artistas de Teatro.

Entretanto, hoje não vou escrever sobre Teatro. Vou falar de poesia. O título desta coluna remete a um poema de Nivaldo Melo, escrito em abril de 2002. Não conheço Nivaldo, mas, fui apresentado a ele através de seus versos pelo meu amigo e irmão, José Teles. Um ávido leitor e colaborador deste jornal, entusiasta da cultura e apreciador da boa literatura.

Pois bem, Nivaldo Melo é um desses poetas que cativa a gente pela simplicidade de seus versos que falam diretamente ao coração. É um homem que “fala com Deus” e sente-se pequeno diante da tragédia humana ao ter uma “visão estarrecida” do nosso querido planeta onde “tombam seres providos de alegria, num contra-senso, em volúpia fria, neste desprezo aos ideais mais puros!”

O poeta percorre pela infância, lembra do sertão e seu povo sofrido “em notado afano”. Como ele mesmo diz:
“Vê-se euclidiano
Um timbre espartano...
- Zabelê zanzando,
Perdiz no seu passo
Em lento compasso,
De modo tão lasso,
Piando... piando.”
Descreve com sutileza os gestos da mulher virtuosa e ressalta a sua beleza “de claro fulgor, em franca harmonia ao leve frescor dos dias amenos”. Ensina-nos, com sua poesia a “lição do perdão”, nos mostra o retrato da “mendicância” e, abstrato, titula alguns de seus poemas de “Mesmo Assim”, “Depois” e “Reflexão” afirmando, sem meias palavras que:
“Tudo hoje é antítese do que quero
Se apenas só tenho o que verbero
Num íntimo pesar do inconformismo”.

Pois é, Nivaldo, a “poesia é hoje a álgebra superior da metáfora”, já dizia José Ortega y Gasset. Se há poema sem poesia, certamente – e você há de concordar comigo - não haverá poesia sem um poema. Mesmo que falemos com as estrelas e reconheça Deus como nosso Criador. Obrigado, Teles, por ter me apresentado Nivaldo Melo. É bom saber – e isto é o poeta quem diz - que:
“Neste sofrimento a dor desafia
O sono plácido de quem escala
Guapos escalões do poder que exala
As leis que tornam-se já esmaecidas!...
Saudosos risos em ternos impulsos
São lembranças de benfazeja esfera
Quando malgrado vai crescendo a fera
Em cada canto a cruciar as vidas”.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Conflito Dramático


O Teatro é um conflito. O elemento básico, essencial a ação dramática, na qual se desenvolve em função da oposição e luta entre diferentes forças. Ator e personagem se estranham, mas, ao mesmo tempo se encontram, se completam. O conflito é determinante. Ele aponta a direção, estabelece o diálogo e permite que a ação teatral ocorra até atingir o clímax.
Há que se afirmar que o “conflito dramático é a marca da ação e das forças opostas do drama”, acentua Olga Reverbel. E acrescenta: “Há conflito toda vez que duas ou várias personagens tem atitudes, ideias ou visão do mundo opostas: amor/ódio, opressor/oprimido etc”.
Segundo Patrice Pavis, de acordo com a teoria clássica do teatro dramático, a finalidade do teatro consiste na apresentação das ações humanas, em acompanhar a evolução de uma crise, a emergênciae a resolução de conflitos. O conflito tornou-se a marca registrada do teatro. Entretanto, isto só se justifica para uma dramaturgia da ação (ação fechada). Outras formas (a épica,por exemplo) ou outros teatros (asiáticos) não se caracterizam pela presença nem do conflito, nem da ação.
Há conflito – acrescenta Pavis – quando um sujeito (qualquer que seja sua natureza exata), ao perseguir certo objeto (amor, poder, ideal) é “enfrentado” em sua empreitada por outro sujeito (uma personagem, um obstáculo psicológico ou moral). Esta oposição se traduz então por um combate individual ou “filosófico”; sua saída pode ser cômica e reconciliadora, ou trágica, quando nenhuma das partes presentes pode ceder sem se desconsiderar.
Hegel relata que “a ação dramática não se limita à realização calma e simples de um fim determinado; ao contrário, ela se desenrola num ambiente feito de conflitos e colisões e é alvo de circunstâncias, paixões, caracteres que a ela se contrapõem ou se opõem. Tais conflitos e colisões geram, por sua vez, ações e reações que tornam, em dado momento, necessário seu apaziguamento”.
Na maioria das vezes, o conflito é contido e é mostrado ao longo da ação, constituindo-se em seu ponto alto (o clímax). Mas o conflito pode ter sido produzido antes do início da peça: a ação é apenas a demonstração analítica do passado. Se a personagem espera o momento final da peça para conhecer o segredo da ação – alerta Pavis, o espectador conhece de antemão a saída para ela.

domingo, 29 de maio de 2011

NOSSO PARTIDO É A CULTURA

Bloco Afro Mini-Kongo

Todas segundas quintas-feiras do mês, o Fórum de Agentes, Empreendedores e Gestores Culturais do Território Litoral Sul é convocado para uma conversa sobre os principais acontecimentos da Cultura no país e na região. Desde que foi criado, em 2008, o Fórum vem promovendo ações de qualificação de pessoal ligadas à arte e à cultura do Litoral Sul, a princípio, por meio da Universidade Estadual de Santa Cruz, como o curso de extensão em Gestão Cultural, o Seminário de Pontos de Cultura, o encontro do Proler, a escola de sanfoneiros que ocorrerá nos próximos dias.
Entre suas finalidades está a que propõe projetos comuns, integrados ou não, entre os Municípios membros, Territórios e pleitear financiamento junto ao poder público e iniciativa privada, nacionais e internacionais visando a ampliação das ações e atividades do Fórum. O FORTEATRO-SUL – Formação em Teatro e Cidadania do Território Litoral Sul é um exemplo disso e será realizado em dezessete das vinte e seis cidades que compõem o Território de Identidade. São três dias de oficinas de cenografia, iluminação, produção cultural, interpretação, música de cena, maquiagem e gestão de grupos.
Nesta nova gestão, presidida pelo Escritor e Produtor Cultural Pawlo Cidade, em parceria com Maria Conceição (gestora cultural da cidade de Una) e Alessandra Barreto (UESC) eles pretendem criar um ciclo contínuo de colóquios sobre Políticas Culturais e Ferramentas da Produção Cultural no sentido de estimular a geração de ideias, o pensar coletivo e colaborativo, o fortalecimento da economia criativa como fonte de geração de emprego e renda, a troca de informações e conhecimentos entre os integrantes, bem como firmar parcerias com órgãos públicos e privados, ONGs, voltados para interesses da arte e cultura.
A nova gestão do FAEGSUL acredita que a Política Cultural deve se ocupar da ação cultural com um sentido de continuidade, “ao longo de toda a vida e em todos os espaços sociais”, solidificando as políticas de Estado, capazes de estimular os sujeitos para que produzam a “arte e a cultura necessárias para resolver seus problemas e afirmar e renovar sua identidade”.
“Somos capazes de engendrar um plano que permita o diálogo entre todos os segmentos artístico-culturais, a comunidade e o próprio Estado. E isso só será possível a partir do momento em que pensarmos de forma coletiva e colaborativa passando a ser a ferramenta que irá possibilitar a difusão, o acesso e a sustentabilidade da arte”, afirma Cidade.
O coletivo é capaz de permitir a produção do comum, de forma que possamos nos apropriar da coisa pública e não da privada. Ela abre o leque para a troca de experiências, estratégias e metas de resistência e autonomia com outros envolvidos. Faz com que possamos enfrentar o mercado, sem se preocupar com a livre concorrência, com as indústrias culturais, valorizando a criação. Com o estímulo a criação de redes colaborativas o FAEGSUL criará oportunidades dos grupos formarem alianças e fortalecer as práticas artísticas.
Você também pode participar do FAEGUL. Envie um breve currículo de suas atividades, preenchendo a ficha de inscrição no blog: www.faegsulba.blogspot.com  para o e-mail: faegsulba@gmail.com 

(Publicado na Coluna "Coxia", edição de 28/05/2011, Caderno 2, Diário de Ilhéus)

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