sexta-feira, 8 de maio de 2026

RESENHA SOBRE O LIVRO "OS GIRASSÓIS SÃO AZUIS"




"Oie, gente! Finalizei essa leitura e já vim compartilhar com vocês minhas impressões. A história se passa em Paramaribo, no Suriname, durante o período de consolidação da ditadura militar, um contexto que impacta diretamente os acontecimentos e dá ainda mais força à narrativa! 📚

Conhecemos o protagonista Ramseawek Van Gogh, o Ram, ao lado de sua esposa Sita Radha, seu filho Johan e seu pai Arron. Ao longo da narrativa, acompanhamos a construção da conexão e do amor entre Ram e Sita, desde o primeiro encontro até os dias atuais, em uma trajetória marcada por afeto, memórias e transformações. ✨

Essa é uma história intensa e marcante. A narrativa revela a profundidade da fé de Ram e, mais do que isso, sua espiritualidade. Não se trata de um livro sobre religião, mas sobre alguém cuja vida é transformada pela fé que carrega dentro de si. E, principalmente, sobre o desafio de manter essa fé viva em meio a um cenário político caótico, onde encontrar uma luz no fim do túnel parece quase impossível. 💨

O lugar onde Ram e sua família vivem passa a ser ameaçado por opositores do governo surinamês, instaurando um clima constante de tensão. Esse contexto abala não só a segurança, mas também as relações e as perspectivas de futuro da família. Ram e Sita são, ao mesmo tempo, muito parecidos e profundamente diferentes, dois indivíduos que se amam e desejam o melhor um para o outro, mesmo quando suas convicções entram em conflito. É bonito acompanhar como eles enfrentam os desafios e, em certos momentos, também se rendem diante de tudo o que a vida lhes impõe. 🤲

Por meio da oração, Ram passa a buscar uma compreensão mais profunda do mundo, da sua realidade e das pessoas ao seu redor. Em certo momento, um pregador lhe diz que, em breve, ele precisará tomar uma grande decisão e essa ideia passa a ecoar em seus pensamentos. Mas afinal, qual será essa escolha tão decisiva que Ram terá que enfrentar? 🤔

Esse é o tipo de livro em que até os personagens secundários têm força suficiente para transformar os rumos da história. Uma narrativa sobre superação, amor e resiliência, mas, acima de tudo, sobre uma fé capaz de mover e transformar mundos. O final me deixou com o coração apertado, e, ao mesmo tempo, fez tudo fazer sentido. Recomendo de olhos fechados essa leitura, que está disponível na Amazon e também no Kindle Unlimited!"

Publicado originalmente no Instagram:
@leituradasgemeas

terça-feira, 14 de abril de 2026

"OS GIRASSÓIS SÃO AZUIS", MEU MAIS NOVO E-BOOK, CHEGA NA AMAZON



"Este livro esteve guardado por muito tempo, como um segredo que aguardava o momento certo para ser revelado”, relata o escritor Pawlo Cidade. O autor escreveu o romance quando beirava os trinta anos e ao ver um filme onde a protagonista se despedia em um campo de girassóis, sentiu o estalo: era hora de libertar os seus 'girassóis azuis'.

Assim nasce Os Girassóis São Azuis, cuja história se passa em Paramaribo, capital do Suriname, país da América do Sul.

No coração de Os Girassóis São Azuis, pulsa a história de Ramseawek Van Gogh (Ram) e sua esposa Sita. A conexão entre os dois transcende o cotidiano, sendo descrita com uma intensidade que funde o desejo carnal à cumplicidade espiritual, tornando-os um só corpo diante das adversidades.

A trama é ambientada em um dos períodos mais sombrios da história sul-americana: a ascensão e consolidação da ditadura militar no Suriname, liderada por Desi Bouterse. O livro pinta um retrato vívido de um país multicultural sufocado pelo medo, pela repressão e pela censura. O cenário político não é apenas um pano de fundo, mas uma força ativa que invade a intimidade do casal em uma constante luta pela sobrevivência sob a sombra do regime militar.

À medida que a tensão política e as questões de fé se entrelaçam, a trama culmina em um clímax dramático e carregado de simbolismo. Em meio a uma tempestade devastadora e eventos que desafiam a lógica natural, Ram é colocado diante de uma escolha impossível e um sacrifício lancinante. O desfecho rompe com o realismo para abraçar o místico e revela-se como uma profunda reflexão sobre a fé, o amor e a transcendência.

segunda-feira, 23 de março de 2026

CRÔNICA DE CADA DIA


 NO DIA EM QUE UM MARCIANO ESTEVE EM ILHÉUS

Pawlo Cidade

 

O ano era 1963. Na praia da matinha só ia quem conhecia o caminho. Era um lugar secreto, escondido pelos pescadores e pelo boi malhado de seu Eurico que costumava dar carreira nos meninos do alto do morro e que, mais tarde, deu nome ao bairro Malhado. 

De lá sim, era uma vista de dar inveja. O mar se abria todo para Ilhéus, numa imensidão que parecia não ter fim. Bem em frente, mais ao norte, uma outra vila de pescadores, a de São Miguel, quase inexplorada. Meu pai e dois amigos combinaram um luau na pedreira, bem abaixo do morro, de frente para o mar. Convidariam duas ou três amigas para compartilhar aquela noite de lua cheia na matinha.

Eles saíram logo que o sol se pôs, para não se perder no caminho. No local, acenderam uma fogueira e cantaram canções de sucesso como “Sonhar Contigo”, de Adilson Ramos, embriagados pelo vinho que os amigos haviam levado. Lá pela meia noite, quando a lua alcançou seu ponto mais alto, e as garrafas de vinho se amontoavam na pedreira, um som estranho percorreu a mata. Parecia um barulho de carro, mas era mais agudo. As meninas se assustaram. Os rapazes, metidos a valentões, entre eles, meu pai, disseram que era o barulho do mar sobre as pedras. Contaram uma história que nem eles mesmo acreditaram. De repente, várias luzes brilharam na direção deles e o barulho ficou mais forte. Parados estavam, parados ficaram quando aquela coisa brilhante sobrevoou a cabeça deles e foi parar na beira do penhasco.

Curiosos, e, ao mesmo tempo, trêmulos, os três caminharam lentamente até a coisa. Mas não tiveram coragem de chegar perto. Observaram de longe o movimento e o barulho que a coisa fazia. Minutos depois, de dentro dela, um homem, pequeno, de braços longos, quase arrastando no chão, saiu. Quando olharam para trás, as três amigas já tinham corrido. Meu pai conta que ele foi o último a correr quando o homenzinho veio na direção deles.

No outro dia, tomados ainda pela curiosidade e pelo medo, voltaram ao local. Não havia sinal de nada. Todavia, foi ali, na praia da matinha, que eles juraram ter visto o marciano. Doravante, a praia da matinha passou a se chamar Praia do Marciano. Do marciano que ninguém mais viu. Se esta história foi verdade ou não, acabou virando ficção.

 

 Pawlo Cidade, escritor e ativista cultural. 

Este texto foi publicado originalmente no 

site O tabuleiro, em 26 de dezembro de 2017.

 

 

 

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

RECRIAÇÃO ARTÍSTICA



"Entendo que a recriação artística pode moldar os fatos, desde que preserve o espírito da época. Jorge Luís Borges dizia isso. E é o que estou fazendo. Não escrevi um romance, mas crônicas. Relatos sobre quem abriu caminhos, como em “É proibido suicidar-se na primavera”; sobre a fundação de coletivos e o fervor das criações em grupo; sobre festivais inesquecíveis e episódios que quase silenciaram o fazer teatral grapiúna".



Sobre "Greta Garbo, quem diria, esteve em Ilhéus", livro de memórias sobre o movimento teatral dos anos 80 e 90 em Ilhéus, Itabuna e Buerarema, que eu estou escrevendo. Lançamento ainda neste semestre.

RESENHA SOBRE O LIVRO "OS GIRASSÓIS SÃO AZUIS"

"Oie, gente! Finalizei essa leitura e já vim compartilhar com vocês minhas impressões. A história se passa em Paramaribo, no Suriname, ...