
(Trecho do livro, O povoado das onze mil virgens, 2019, publicado pela Editora Teatro Popular de Ilhéus. "O juiz iníquo"foi inspirado numa parábola de Lucas 18:1-18).

Relacionamentos que começam com experiências públicas nunca dão certo. O meu tinha tudo para dar errado. Eu era seu professor, apesar de ela ser uma garota madura para sua idade: “Inteligente, sarcástica e rebelde”. Eu confesso que nunca fui tão feliz. E como sofri tanto!
Fechei o notebook depois de dizer, pela primeira vez, meu nome verdadeiro para aquela tal de “Sininha”. Se é que era “sininha” mesmo. E se fosse um homem se fingindo de mulher? Ri sozinho. Fiquei até com vontade de convidar a misteriosa “Sininha” para conhecer a maravilhosa Terra do Nunca: meu quarto e sala da Avenida Central. Ser solteiro tem suas vantagens e morar sozinho é um viva a liberdade! Prato sujo na pia, cueca no banheiro, toalha molhada no cesto de roupa enxuta, guarda-roupa pelo avesso, lixeira cheia até a tampa, chão melado da última vitamina que eu fiz, dezenas de exames dos alunos do segundo e terceiro ano espalhados pela mesa, pelo sofá e pela cama e ainda ouvir “Como eu quero” do Kid Abelha mais de vinte vezes sem ter ninguém para gritar com você: “Desliga esta merda! ” Já eram quase duas horas da manhã quando dormi, ali mesmo, na sala, embalado pela voz de Paula Toller.
Acordei atrasado e sai debaixo de chuva. Consegui pegar o primeiro horário da turma A, depois peguei mais duas na turma C e por fim resolvi elaborar um teste para aplicar na turma B. Fiquei na secretaria até meio-dia. Quando fui saindo, dei de cara no portão principal com ela. A chuva continuava caindo forte. Um pé-d´água tremendo. Sorte que a cobertura do portão protegia da chuva.
- Oi! – Ela sorriu. Parecia mais amável. Bem diferente da primeira vez que a gente se digladiou na sala.
- Olá, Administradora de Empresas! E então? Já sabe fechar um balancete com uma tabela periódica? – Arrisquei uma piada. Era melhor ter sorrido de volta com um “Oi” também.
- Eu precisaria ser em primeiro lugar burra e em segundo professor de química!
Ri meio sem jeito. Mas não me intimidei:
- O que não seria um mau negócio.
Ela foi ainda mais sarcástica:
- Claro! Ganhar pouco, dormir tarde, passar fim de semana corrigindo provas!
- O salário pode não ser bom, mas eu gosto do que eu faço. – Estava sério.
- Hum, um idealista!
- Pelo menos eu tenho uma causa pela qual lutar.
- Eu também. Mas quando a gente chega à velhice, as causas são outras. – Ela me chamou de velho com classe! E eu só tinha 33!
- A falta de argumento é típica da pré-adolescência. – Sentenciei.
- Então! – Exclamou. E a gente ficou ali, no portão da escola, olhando um para a cara do outro, como se fossem dois lutadores de MMA só esperando a hora do juiz dar o sinal e a gente partir para a briga. Foi até engraçado. Ela foi a primeira a quebrar o silêncio.
- O “velhinho” e a “criancinha” presos por causa da chuva. Vai dar o que falar.
- De jeito nenhum! A última coisa que eu gostaria de ter era uma amizade com uma aluna atrevida, metida e chata. – Fiz uma careta irônica.
- Vou chamar isso de elogio. – Respondeu com outra careta.
- Eu não teria tanta certeza. – Franzi a testa.
- Você não sabe o que está perdendo. – Ela esticou o dedo e tocou no lado direito do meu peito.
Dei de ombros. Aquela direta era uma indireta ou direta? Ou eu entendi tudo errado? Vai saber! Resolvi participar do jogo.
- Eu sei o que NÃO estou ganhando!
- Tem razão. – Concordou. A chuva diminuiu de intensidade.
- É mesmo?
- Tudo bem. Eu vou indo. – Disse. Em seguida acrescentou:
- Está ficando tarde. Já são 12:1, vou aproveitar a estiagem. Salomão fica furioso quando chego depois do almoço.
- Seu pai?
- Sim.
- Para que lado você está indo?
- Zona Norte. Por quê?
- Quer uma carona?
- Eu pensei que você não queria fazer amizade.
- Mudei de ideia. – Fiz sinal para que ela me acompanhasse. A minha gentileza abriu um precedente. Talvez fosse melhor não ter oferecido a carona.
(CIDADE, Pawlo. AS DOCES AMARGAS MEMÓRIAS DE PEDRO E ALICE, Editora Mondrongo, Itabuna-Bahia, pp. 20-23).
O Santo de Mármore é um livro publicado em 2013, cujo original nasceu em 1989. Foram mais de quinze anos tentando amadurecer uma história real que eu testemunhei. Narrar a história do nascimento do movimento estudantil organizado em Ilhéus, na Bahia, foi para mim uma experiência incrível. O título do livro foi inspirado na poesia homônima do professor de história José Carlos Galdino, publicado em agosto de 1987, no jornal Diário da Tarde.


Dia 24 de julho, das 18h às 19h, estarei lançando a 2a. edição, revista e ampliada, de "O TESOURO PERDIDO DAS TERRAS DO SEM-FIM". Durante a sessão de lançamento na minha conta pessoal do Instagram (@pawlocidade) eu vou sortear 10 (dez) livros. Para ganhar um é super fácil:
Os dez primeiros que conseguirem marcar 20 (vinte) pessoas diferentes, ganha na hora o exemplar. Não importa de qual lugar do Brasil você seja. Marcou 20 (vinte) diferentes nomes e está entre os 10 (dez) primeiros, ganhou!
Mas a promoção só vale a partir do momento em que eu disser: "A partir de agora você já pode marcar 20 (vinte) pessoas diferentes", ok?
Pronto! Regra simples! Fique atent@ e participe.
Quem não gostaria de viver a aventura de caçar um tesouro perdido, ainda mais ao lado de seus melhores amigos? Pois é justamente o que Charlie, Tati e Gambá decidem fazer depois de descobrirem um mapa com a localização de um lendário tesouro escondido há mais de cem anos na zona rural de Ilhéus.
Seguindo pistas e desvendando enigmas, os três partem em uma jornada incrível através da Mata Atlântica, fazendas de cacau, manguezais e rios. Uma aventura que exigirá deles coragem, inteligência e um tanto de sorte. Juntos, mergulharão na rica história de Ilhéus, nos mistérios e lendas da Lagoa Encantada e nos cuidados com a natureza. Este é o enredo do livro infanto-juvenil, “O tesouro perdido das terras do sem-fim”, 2ª. edição revista e ampliada do escritor Pawlo Cidade. A primeira edição foi publicada em 2005.
Pawlo Cidade, autor de 18 livros, pedagogo, gestor cultural e consultor de políticas públicas para a Cultura consegue, com uma linguagem simples, contar a história de modo alegre e inusitado, permeando vários temas como geografia, botânica, costumes, culturas.
Para Agenor Gasparetto, editor da Via Litterarum, a reedição de O tesouro perdido das terras do sem-fim “é para quem gosta de uma boa leitura e acredita ser possível salvaguardar e dar vida à natureza”.
O tesouro perdido das terras do sem-fim remonta à narrativa sobre o desenvolvimento da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, a colônia dos alemães, a existência dos índios botocudos, as primeiras igrejas e os tempos áureos do cacau.
Marcel Santos que cuidou do projeto gráfico e é também co-editor, através da Editora A5, ressalta que a obra prende o leitor do início ao fim: “Ou eu cuidava da estrutura gráfica do romance ou me envolvia na história. No fim, consegui dar conta das duas coisas.”
A obra é resultado do prêmio Edital Arte Livre, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Ilhéus, pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, com recursos da Lei Aldir Blanc e ilustrações exclusivas do premiado Jô Oliveira.
SERVIÇO:
O que? LIVRO O TESOURO PERDIDO DAS TERRAS DO SEM-FIM;
Quando? DIA 24 DE JULHO DE 2021
Horário? 18 horas
Onde? INSTAGRAM DO AUTOR: @PAWLOCIDADE
Quanto: R$ 40,00.
O livro estará a venda no site das editoras A5 e Via Litterarum e no blog da Comunidade Tia Marita. Mas podem ser adquiridos diretamente com o autor.
O aguardado livro "Greta Garbo, quem diria, esteve em Ilhéus!", do autor Pawlo Cidade, já está disponível para reserva. Garanta ...