segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

A PELEJA HOMÉRICA DO CARPINTEIRO CONTRA O VAQUEIRO


“À sua estultícia o homem chama destino.”

Homero



FOI BENJAMIN DE GLÓRIA, um pouco antes do fatídico dia do seudesaparecimento, que relatou a Otavia- no de Maria a sova que o vaqueiro Januário deJandira deu, covardemente, na mulher. Disse também que Jacobina de Messias só não morreu porque foi salva por Givaldo, o filho do meio, que chegou no exato instante doacontecido e deu um tiro de espingarda no pai. Mas não matou.

Otaviano de Maria esperou o tempo do vaqueiro se re- cuperar do ferimento e dele mesmo sentir-se totalmente curado das moléstias. Os dois se encontraram por acaso - embora Benjamin de Glória tenha dito que aquele encon- tro havia sido marcado pelodestino - numa curva estreita da estrada de Coutos, na primeira hora do dia. Ali travaram uma peleja homérica, digna de uma Ilíada.

O carpinteiro voltava de uma caçada em Cururutinga, o vaqueiro ia com destino àfeira de Coutos. Ambos monta- vam a cavalo, usavam chapéu e estavam armados comuma espingarda de ferrolho. Pararam, um frente ao outro, se encarando, em silêncio.E ficaram assim um tempo, coisa de quase duas horas, estáticos, um esperando areação do outro. O vaqueiro gago, impaciente, quebrou a calada.

— Sempre desconfiei que você fosse um Empata Viagem.

Empata viagem foi o nome de batismo que os pescadores da Vila de São João da Barra do Pontal deram a um velho de vincos salientes no rosto e na parte posterior do pescoço que andava pedindo coisas e vivia embaixo de um tamarineiro monstruoso de mais de cem anos, na enseada. Se o viajante não oferecesse nada ao velho, ficava como perdido, dando voltas e mais voltas pela vila, empatando sua viagem. Só achava a saída quem deixava um presente para o velho. A entidade daenseada da vila sumiu no dia em que um coronel mandou derrubar a árvore. Quando o tamarineiro tombou ouviram um grito ensurdecer que veio trazido pelo sopro dovento do mar: “Vocês cortaram minha casa, seus pestes!”.

Otaviano de Maria conhecia a história e a entidade. Compará-lo ao demônio do Pontal deixou o carpinteiro muito irritado. Ele sacou da espingarda de ferrolho fun- gando e apontou para o vaqueiro.


- Matar sua mulher e o amante dela não foi suficiente? Quer mais sangue? — provocou o vaqueiro.

O carpinteiro não tirava os olhos do outro. Puxou o ferrolho da arma com asperezapara trás, manejando-o para dentro e para fora, abrindo o carregador. Do seu interior um estojo vazio foi ejetado. Ao invés de recarregar a es- pingarda com um novocartucho, jogou-a no chão, ao lado do cavalo.

— Por que a gente não resolve esta peleja no braço? — desafiou. — Ou o vaqueiroJanuário só é homem em cima de mulher?

Januário de Jandira viu na coragem de Otaviano de Ma- ria uma fraqueza. “Homem mais burro”, pensou. “Esta peleja acaba é agora”. Imediatamente, sacou da sua espin-garda acionando a alavanca que destravou o ferrolho da câ- mara. Abriu o carregador,pôs um novo cartucho, fechou a câmara e apontou a arma apoiando o cabo noombro direito. Em seguida, cerrou o olho esquerdo mirando no peito de Otaviano de Maria.

O carpinteiro riu. Riu gostoso. Januário de Jandira rela- xou, abaixando a arma, sem entender.

— Eita! Já vi vaqueiro gago, mas vaqueiro covarde ain- da não havia visto — disse. — A sua covardia não será esquecida, Januário. Será lembrado em Santa Maria como o homem que espancou a mulher e atirou em outro homem desarmado. Típico dos jandiras.

Os jandiras fundaram Santa Maria. Vieram das bandas de Porto Formoso, à barra do rio Ceará, montados nos lombos dos burros, fugindo da fome e das pestes que ca- íram sobre o Nordeste. Eram rudes, perversos, povo de pescoço duro, teimosos, ciumentos, ranzinzas. Outrora, ficaram conhecidos pelos atos de covardia, pelaidolatria, pela arrogância e o coração penoso. Januário de Jandira tra- zia no sangue odesprezo pelo outro, a soberba, a exaltação de si mesmo e os pequenos terafinsescondidos nos bolsos das calças, pendurados no cordão do pescoço, amarrados no pulso, nos tornozelos feito penduricalhos.

Na família, o mais perverso foi, sem dúvida, Antônio de Jandira, bisavô do vaqueiro, que guardava a fama de sacrificar animais indefesos desde a mais tenraidade. O avô de Otaviano de Maria, Sebastião de Martins, contou que o velho Antônio esquartejou um bichano aos cinco anos de idade. Pendurou o animal pelorabo e foi esfolan- do o bicho vivo. E daí não parou mais. Quem tivesse seus gatos naregião que os escondesse dentro de casa. O velho matava por diversão. Coisa do diabo,espetáculo macabro, natureza do cão.

Durante anos não se viu um felino de Santa Maria a Coutos, de Cururutinga aAreia Branca, do Japu ao distrito de paz de Olivença. Uma vez, numa dessas noites sem lua, o velho saiu para caçaros felinos, na região de Areia Branca. Foi perseguindo um gato preto, magro, de coleirabranca, que miava assustado. Sem perceber, chegou a uma casa de farinha, no dia emque tinham torrado umas cinco sacas. O chão da casa estava forrado de cascas demandio- ca que os homens e as mulheres deixavam para os bichos da noite comer. Ovelho, excitado, cercou o bichano perto do forno. Os olhos do gato brilharam noescuro, atônitos. Ele engatilhou a arma e mirou bem no meio da testa do animal. Puxou o gatilho. A arma atravancou, o tiro não saiu. Antônio de Jandira foi conferir.Recebeu de um vulto um tapa do lado do rosto que lhe arrancou a orelha direita e aaudição. Caiu de costas, atordoado. Tentou se levantar e outro tapa, que veio de outro vulto da noite, decepou a outra orelha. Desfaleceu. No outro dia, foi encontrado pendurado pelos pés, sem pele e sem cabeça, acima da co- mida dos demônios da noite.

— Eu não tenho medo de você, seu merda! – desfez a mira, guardou a espingarda epulou do cavalo, numa agili- dade impressionante, como só os vaqueiros sabiam fazer.

— E então, vai ficar aí ou vai descer e me enfrentar, filho de ladrão.

Otaviano de Maria engoliu a acusação em seco. Seu pai, o boticário deCoutos que ensinou o ofício ao pai de Apolinário de Helena, foi preso e condenado aquinze anos de cadeia por participar de um roubo a uma casa de penhores em Ilhéus.No dia em que morreu, confessou ao filho que era inocente.

O carpinteiro, taciturno, indiferente à tradição, desceu pelo lado direito do cavalo eficou em pé, esperando. Não estava com medo, nem ansioso. Mas sentia que aquela que- rela com Januário de Jandira precisava ter um fim. Foi guiado por suas memórias à infância em meio a uma briga que os dois protagonizaram pelaprimeira vez por causa de um bodoque, feito de um galho de araçá forquilhado. O meni- no Otaviano escondeu a atiradeira por três dias para impe- dir que o menino Januáriomatasse as galinhas de angola e os filhotes de patos dos vizinhos. No quarto dia,Januário foi buscar o bodoque. Otaviano disse que não entregava. Os dois terminarambrigando na rua, em frente à casa do carpinteiro. Januário de Jandira saiu com umolho roxo e vários arranhões, mas voltou com a atiradeira e venceu a briga. Otaviano entrou em casa com duas mordidas nas costas e o peito roxo dos socos que recebeu eainda levou uma surra do pai.

Pelejaram ainda muitas outras vezes nas brincadeiras com estafetas e nos jogos de puxar e empurrar, sobretu- do, quando Januário perdia. Na adolescência, o vaqueiro disputou o amor de Jacobina de Messias. A menina amava Otaviano, que fingia nãosaber, e Januário amava Jacobina de Messias que no início não quis nada com ele. Sóquando Otaviano se casou com Marinalva de Leite, a menina resol- veu dar uma chanceao jovem vaqueiro.

Januário de Jandira não era alto nem baixo. Mas tinha uma cabeça grande, como todos os emigrantes de Porto Formoso, cabelos de cachos apertados e barba rala. Os braços eram compridos e carnudos que lhe davam certa vantagem ao puxar a caudados bois fujões com raiva nos descampados e nos pátios das fazendas, forçando aque- da do bicho, provocando-lhes fraturas nas patas, traumas, luxação na cauda equase sempre gerava uma amputação. De tanto montar a cavalo, as pernas ficaramtortas, como a forquilha da atiradeira pela qual eles brigaram. A anomalia lhe davatambém a aparência de um homem atarracado.

Otaviano de Maria era alto e forte, da cintura para cima. Do umbigo para baixo possuía as pernas finas e compridas e uma bunda tísica, chupadaque nem uma tábua rasa de tanto ficar sentado lixando, polindo, envernizando as ma- deiras que se transformavam nas peças mais criativas do povoado. Nas mãos, asmarcas dos artefatos que inventou, os calos e as cicatrizes, e a ausência da metade de umdedo da mão direita. Ossos do ofício. Ofício que aprendeu com mestre Ambrósio deJoana. Não havia em Santa Maria e boa parte da região de Coutos uma só casa que nãotivesse uma peça produzida pelo carpinteiro.

— Você é um homem amargoso, Januário — disse Ota- viano de Maria, fechando asmãos com firmeza, sobrepon- do o dedão sobre os demais dedos, deixando os pulsos retos. — Mas sei também que é um homem de palavra.

O carpinteiro disse mesmo uma verdade. Ainda se hon- rava a palavra no povoado.Mesmo que ela tivesse vindo de um jandira. Declarar que o vaqueiro cumpria o quepro- metia não foi um elogio, foi uma tentativa de trazer à tona uma tradição que jamaisfoi negligenciada em toda a histó- ria de Santa Maria.

— Se eu vencer esta briga, nossas diferenças terminam aqui. Voltaremos para casa, eu e você, sem rancor — e estendeu a mão para apertar a do outro. — Temos um acordo?

Januário de Jandira hesitou. O carpinteiro ficou com a mão direita estendida, nadireção do vaqueiro.

— Temos um acordo?

Januário de Jandira juntou as sobrancelhas, encolheu os olhos e esticou a mão, comaversão, para devolver-lhe a saudação. Tentou dar um aperto tipo esmaga ossos e puxar com força o carpinteiro para perto de si, como que estivesse no controle dasituação. Mas Otaviano de Maria conhecia bem aquela saudação controladora. O vaqueiro não teve êxito em sua investida.

— Sim... — titubeou. — Temos um acordo.

— Então também temos uma peleja! — disse ligeiro e esticou o braço para trás edepois para frente com a mão bem fechada para não se machucar quando atingiu ova- queiro com tudo no meio da testa, pegando-o de surpresa. Era uma testa mais largaque a testa de Rubião, esperando a pancada.

E aquele golpe foi o primeiro canto, do primeiro ato da grande peleja, na quarta hora do dia.

Januário de Jandira cambaleou para trás, mas não caiu. Recuperou-se num únicofôlego e partiu para cima do car- pinteiro, tal qual partia para cima de um bezerro. Osdois se atracaram. O vaqueiro segurou firme na gola e no bra- ço esquerdo docarpinteiro e tentou com a perna esquer- da fazer um gancho por trás da perna do outro. Os dois acabaram caindo por cima do capim-carrapicho e rolaram uma pequenaribanceira, passando por cima de um amon- toado de estacas de eucalipto, prontas paraum cercado. Os cavalos se aproximaram da descida íngreme para assistir à peleja. Otaviano de Maria tentava prender o braço do vaqueiro entre as suas pernas,esticando o braço de Janu- ário de Jandira para trás. O cavalo do vaqueiro relinchou como se dissesse: “Vai quebrar o braço de Januário”. No entanto, o vaqueiro sedesvencilhou e jogou suas pernas sobre o carpinteiro, prendendo a cabeça e opescoço, es- trangulando-o. Ficaram nesta posição muito tempo, mas o vaqueiro nãoconseguiu sufocar de uma vez o carpinteiro que combatia, se debatendo, tentandoarrancar os braços do opositor.

Com as duas mãos livres, Otaviano de Maria conseguiu segurar num dos punhos dovaqueiro. Girou rápido e com força virou a palma da mão do vaqueiro para cima, torcendo o braço. Januário de Jandira resmungou, sentindo dor. Não suportando a investida, afrouxou as pernas. Otaviano de Maria escapou do gancho e com a outra mão, meteu seu braço por cima do braço do vaqueiro, virando-o de bruços. Dominado e com o peito e o rosto para baixo, o carpinteiro abraçou o pescoço do vaqueiro com a ajuda do seu próprio braço e pressionou seu peito nas costas do outro. Otaviano de Maria de estrangulado, passou a estrangular, sofreando o vaqueiro. E este empuxo deu início ao segundo canto, do segundo ato, na sexta hora do dia.

Januário de Jandira, imobilizado, foi ficando roxo com a língua saindo entre os dentes.Seus olhos fitavam o infinito, lacrimejando. No meio do mato ele viu um vulto corren-do na sua direção. Grunhiu, engasgando-se. O carpinteiro manteve-se firme, semafrouxar o braço e a pressão do pei- to sobre o outro. O vaqueiro tentava inutilmentediminuir o estrangulamento. As costas ardiam, os olhos ardiam, a cabeça queimava elhe faltava o ar. O vaqueiro foi escurecendo as vistas, entregando-se, pouco a pouco.Ao sentir que poderia provocar uma tragédia, Otaviano de Maria lar- gou Januário de Jandira.

Os dois ficaram deitados de lado, no chão, olho no olho, resfolegando. O sol a pino,queimando o juízo, estourava a cabeça. Os cavalos impacientes, sentido sede edesejando o fim do combate, relinchavam. O capim-carrapicho feria a pele. A lutaatraiu outros bichos, curiosos, inquietos, ob- servando a peleja dos outros bichos que andavam sobre duas pernas e reinavam sobre eles.

Otaviano de Maria ficou de joelhos. Januário de Jandira também. O vaqueiro não deu sinais de que desistiria da luta. Ficou de pé, com os braços dobrados, em posiçãode defesa, pronto para mais um duelo. Otaviano de Maria fez o mesmo, esperando ogolpe do vaqueiro. E esta posição marcou o começo do terceiro canto, do terceiro ato, na sétima hora do dia. Um cantode ofensas e lamúrias.

— Eu ainda desejo ver muita coisa, Januário.

— Está com medo, corno!

— Esta peleja não vai acabar bem.

— E quem disse que eu quero que ela acabe bem? Hoje, você ou eu vai desencarnar deSanta Maria. Um de nós dois não vai ver a próxima lua nova.

— Você fala como se tivesse a certeza das coisas. É um homem estúpido.

— E você é um corno, covarde!

— Covardes são aqueles que privam os filhos de co- mer e castigam mulheresindefesas com um chicote. Esses também são homens de espírito fraco. De onde vemtanto desafeto, tanta amargura, tanta dor?

— Pare de se defender com palavras, seu boca-mole! Filho de trapaceiro, filho debandido! Pare com essa prosa sem rumo e lute, lute como um homem, corno!

Duas estacas de eucalipto escorregaram até o pé da ribanceira e foram parar, cadauma, ao lado deles. As esta- cas, de uns dois metros de comprimento, tinham as pontas afiadas, como duas enormes lanças. Foram postas ali pelo demônio da mata, o vultoque o vaqueiro viu quando per- dia o fôlego, que também veio ver a peleja, com seusalia- dos, ao sentir o cheiro de sangue e de morte.

Januário de Jandira agarrou a primeira estaca. Otaviano de Maria, para se defender, segurou a segunda. E assim se deu o quarto canto, do quarto ato, na oitava hora do dia. Ambos, segurando as estacas do lado oposto da ponta afiada, com as duas mãos,como agarrados ao cabo de uma espada medieval. O vaqueiro golpeava no lado direito e depois no lado esquerdo das pernas, no tronco e por cima da cabeça subindo e descendo como um portão e o carpinteiro ia expulsando a estaca-espada do oponente para baixo, para o lado, para cimae contra-atacava lançando a estaca-espada para o chão em dois tempos.

Januário de Jandira ergueu a estaca com um passo à frente, apoiando-se com umpé atrás e arremeteu com toda a força que lhe restava sobre Otaviano de Maria. O carpinteiro não recuou e se defendeu segurando a sua esta- ca-espada com as duas mãos eos braços abertos. E ficaram assim, atacando e se acastelando, se protegendo e se agre- dindo até a décima hora do dia quando, finalmente, exaus- tos, se acertaramsimultaneamente com uma estocada por trás da cabeça que quase rachou o crânio. Osdois caíram de peito para cima, sobre o mato, com a boca aberta que nem gato vomitando bola de pelo, querendo recuperar a fuga do ar e sentindo o cheiro forte dosangue que jorrou. Permaneceram assim, um tempo, dois tempos, três tem- posdeitados como dois barbatões sem conseguir se levan- tar, após serem derrubados. Havia muitos barbatões nas festas de apartação em Areia Branca, porque as fazendas não tinham cerca. Januário de Jandira e um bando de va- queiros saíam para buscar osbois que se misturavam com os das fazendas vizinhas. O barbatão era aquele boi que fugia do gado, afrontando o chamado do vaqueiro. Resul- tado: era perseguido ederrubado pela cauda. Januário de Jandira, aos quinze anos, ficou afamado pelasderrubadas e pelas pegadas de boi que fazia.



***


Décima primeira hora do dia. No inverno, a noite chega mais depressa, as aves dormem mais cedo, os bichos da noite se alvoroçam para caçar. Cada bicho, cada ave,tem seu horário certo. Não avançam, não recuam, não comem na hora errada. Os homens não são como os bichos, comem quando querem comer, bebem quando querem beber, matam quando querem matar, dormem quando querem dormir e brigam quando querem brigar. Não importa se a primeira ou a última hora do dia, se é a primeira ou a última vigília da noite.

Ficaram mais uma vez de pé, cambaleantes, mas, eretos. De um pegador de boi podia se esperar uma derrubada, um laço, um golpe por trás. Se projetaram para o lado, em círculo. Um para a esquerda, o outro para a direita, os bra- ços esticados e abertos, quenem garras de caranguejo. Por isso Otaviano de Maria redobrou a atenção, foipaciente, esperou o ataque, não abriu a guarda, porém, cometeu um erro. E o desacertoselou o quinto canto, o quinto ato, no lusco-fusco do fim de inverno de um dia que seentregava a uma noite quase sem lua a testemunhar a peleja do vaquei- ro valente e o carpinteiro sem mágoa.

“Homem não peleja de perna aberta”, a advertência veio do avô, Sebastião deMartins, ao ensinar os primeiros golpes de uma galhofa, uma luta corpo a corpo antigade sua terra natal que os portugueses também chamavam de maluta.

— Você tem que derrubar seu inimigo e mantê-lo no chão. Lute sem camisa, paraque seu opositor não te agarre e te derrube primeiro.

E deixou-se levar pelos pensamentos e por aquele dia em que aprendeu a lutar com seu avô ao completar dez anos de idade. A distração foi suficiente para que ovaquei- ro lhe atingisse um chute sem dó, no meio dos colhões, com o peito do pé dasua força, como se fosse uma mace- ta. O instrumento que ele usava para esmagar ostestícu- los dos bois que precisavam ser castrados. E, por ironia, a mesma ferramentaque o carpinteiro usava para modelar e esculpir a madeira. Otaviano de Maria levou as duas mãos instintivamente aos ovos,tentando impedir um novo ata- que. Mas o estrago já estava feito. O carpinteiro caiu de joelhos, gemendo. O vaqueiro saltou sobre ele, como um leão faminto, abatendo asua presa. Sem forças, foi contido e novamente estrangulado.

— Mas se você for dominado, Otaviano — recordava, — não se desespere... espere... seja paciente. Deixe seu ini- migo acreditar que venceu aluta. E só assim, sentindo-se vencedor, ele irá abrir a guarda e você irá virar o jogo.

Otaviano de Maria aprendeu a lição. Desfaleceu como um preá do mato, esticandoos braços e as pernas em to- das as direções, convulsionando e sacudindo o corpo ao mesmo tempo, simulando a própria morte. A tremedeira e a gosma esverdeada quevomitou assustaram o vaqueiro, fazendo-o diminuir a pressão no pescoço docarpinteiro. Foi a folga necessária para que pudesse esticar os braços, agarrar a cabeça de Januário de Jandira e impulsioná-lo para a frente. O vaqueiro caiu de barriga paracima. Com o impacto, fraturou uma costela e deslocou o ombro esquer- do. A luta terminou.

— Estou... morto — disse Januário de Jandira.

— Eu também.

O vaqueiro emudeceu. Quando respirava fundo, sentia dor. Ficou inspirando eexpirando como um zumbido, sem se mexer.

— Agora nós temos um trato – era Otaviano de Maria. O carpinteiro ajudou ovaqueiro a se levantar, sem pressa.

— Se você cruzar comigo outra vez, Otaviano, e vier pela direita, eu irei pela esquerda. Se você estiver subindo, eu descerei. Não vou te perdoar. Mas nosso acordo está selado.

— De minha parte, vaqueiro rabugento, não haverá rancor.

— Pois da minha, não posso lhe dizer o mesmo.

— Minha mãe me disse uma vez que se você guardar a mágoa, nunca conhecerá a paz.

Januário de Jandira emudeceu de novo. Os insetos anunciavam a noite.

— Nem a peste de um candeeiro para iluminar a estrada – murmurou o vaqueiro.

O carpinteiro começou a rir. Riu de tudo.

— Não entendi a piada.

— Me passou pela cabeça que, se você morrer primeiro do que eu, vou te chamar de candeeiro.

— Candeeiro? Que apelido mais besta!

— Você vai precisar de um quando chegar ao inferno.

Subiram o barranco rindo, com o vaqueiro se apoiando no outro. Otaviano de Mariaajudou Januário de Jandira a subir no cavalo, com dificuldade, reclamando feito um ve- lho embirrento. O carpinteiro entendeu que o fim da peleja merecia um verso.

Vamos cessar a contenda 
Que andamos nós pelejando:
Ou me amas de uma vez, 
Ou prometes me ir amando.


— Enfia esta poesia no cu do teu pai. 

Otaviano de Maria gargalhou bonito.

— Vai-te embora, bicho bruto.

— Adeus, fio-de-maria-mais-eu!


(CIDADE, Pawlo. O Colecionador de Lembranças, 
pp. 149-161, Editora TPI, 2022).

 

 

 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

QUEM É PAWLO CIDADE?



COMO COMEÇOU SUA TRAJETÓRIA CULTURAL?

 

Tudo começou pelos quadrinhos. Meus professores e, sobretudo, meus pais foram grandes incentivadores. A partir dos quadrinhos montei um Clube de Leitura e Correspondência com quatro amigos. Depois veio a escrita e o teatro. Juntos. Escrevia, produzia e dirigia peças de teatro. Meu primeiro espetáculo foi um infantil que estreou em 1988, no Teatro Municipal de Ilhéus. 

 

Fundei o GTAI – Grupo de Teatro Amador de Ilhéus. Depois fundei mais dois grupos e ministrei dezenas de cursos de teatro para jovens, crianças, adolescentes e adultos. Meu primeiro romance foi publicado em 1996 e se chamava “Berlinda”. 

 

Fiz também algumas direções musicais, estimulei a criação de novos grupos de teatro e incentivei muitos escritores iniciantes, sobretudo adolescentes quando fui Assessor Cultural da Fundação Cultural de Ilhéus e depois Secretário Municipal de Cultura, promovendo concursos de poesia e prosa, apoiando saraus lítero-musicais na Academia de Letras de Ilhéus e participando de várias celebrações culturais como festas literárias, festivais de teatro e feiras de livros.


ELENQUE PRINCIPAIS AÇÕES E ATIVIDADES CULTURAIS REALIZADAS


Fui professor de artes durante 30 anos no setor público. Meus alunos sempre foram seduzidos a compreender o poder da arte em suas vidas e como ela podia transformá-los.


Paralelo à docência, fui diretor, dramaturgo, produtor e ator de teatro. Montei de 1988 a 2015, 29 espetáculos de teatro. O mais premiado foi “Cangaço”.


Escrevi, de 1996 aos dias atuais 24 livros. Todos publicados. Entre eles: “A Casa de Santinha”, “A invenção de Santa Cruz”, “A última flor juma”, “O povoado das onze mil virgens” e “O tesouro perdido das terras do sem-fim”.


Sou professor colaborador do Curso de Especialização em Gestão Cultural pela Universidade Estadual de Santa Cruz, curso que ajudei a fundar em 2013; onde leciono a disciplina “Sistemas de Cultura e Redes colaborativas”;


Fui presidente do Fórum de Agentes, Empreendedores e Gestores Culturais do Litoral Sul – FAEGSUL;


Por quatro anos, semanalmente, escrevi mais de 200 artigos sobre Teatro, Literatura e Gestão Cultural para o jornal Diário da Tarde e para o Programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM;


Fui presidente do Colegiado Estadual de Teatro do Estado da Bahia;


Fui presidente do Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus;


Fui presidente da Academia de Letras de Ilhéus, por dois mandatos, onde ocupo a cadeira nº 13, que pertenceu aos escritores Jorge Amado e Zélia Gattai;


Fui membro do Conselho Estadual de Cultura da Bahia;


Fui assessor de cultura da Fundação Cultural de Ilhéus;


Fui Secretário de Cultura de Ilhéus de 2017 a 2019;


Ministrei inúmeros cursos de teatro por várias cidades do Sul e Extremo Sul da Bahia, entre elas Ilhéus, Itabuna, Itajuípe, Camacã, Porto Seguro;


Recebi alguns prêmios de reconhecimento pelo meu trabalho em teatro e por se destacar em atividades culturais no meu Município, Ilhéus, como o Prêmio Jorge Amado 2000, e o Prêmio Destaque do Ano 2023;


Fui Diretor das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia, em 2020-2021;


Fui co-curador e produtor de cinco edições da Festa Literária de Ilhéus – FLI


Me especializei em Projetos Culturais pela Fundação Getúlio Vargas;


Sou palestrante e instrutor de modelagem de projetos culturais há mais de 15 anos;


Sou convidado constantemente para ministrar palestras para crianças, jovens e adultos sobre a “Importância do ato da leitura” em diversas escolas do Município e do Estado da Bahia e também escolas da iniciativa privada.


Sou consultor de políticas públicas para a cultura.


Sou vice-presidente da Associação Comunidade Tia Marita, osc de consultoria, gestão e projetos culturais;


Sou diretor da Dimensões Culturais, empresa especializada em projetos culturais e consultoria de políticas públicas;


Ministro palestras sobre O papel e a função do Conselheiro de Política Cultural. Recentemente ministrei duas disciplinas sobre a importância do conselho, o papel dos seus membros e o regimento interno para os conselheiros de cultura do Município de Salvador, sob a administração da Fundação Gregório de Mattos. 

  




AS AÇÕES QUE DESENVOLVO TRANSFORMAM O ENTORNO DA MINHA COMUNIDADE

 

 

Gosto de ministrar cursos de modelagem gratuitos de projetos para a cultura, facilitar a vida do artista para que possa ter acesso também aos recursos que estão aí disponíveis. 

Minhas palestras sobre a Importância da leitura, realizadas nas escolas públicas e privadas, causam certo alvoroço, sobretudo nos mais jovens, pois recebo muitos feedbacks deles. 

 

Em setembro e outubro deste ano recebi 75 cartas, escritas à mão, de cinco turmas do nono ano do ensino fundamental da Escola Horizontina Conceição, em Ilhéus, falando do meu trabalho, da palestra que ministrei e de quanto havia impactado a vida deles ao descobrirem que as pessoas que leem são capazes de mudar o mundo. Me emocionei.

 

Quando fui Secretário de Cultura promovi alguns concursos de poesia que revelaram muitos talentos advindos da escola.

 

Muitos alunos do Curso de Especialização em Gestão Cultural, da Universidade Estadual de Santa Cruz, onde ministro a disciplina “Sistemas de Cultura e Redes Colaborativas” se identificam muito com muitas aulas. Ao falar da minha experiência na gestão e mostrar como conceitos básicos de cultura podem ser aplicados para ter êxito no fazer cultural eles ficam encantados. Na disciplina faço imersões no campo cultural, levando-os à eventos de grande impacto na comunidade e convido pessoas de grande influência para compartilhar suas experiências, a exemplo de Albino Rubim, José Márcio Barros, Bernardo da Mata-Machado e Cláudia Leitão que participaram de dois encontros que eu promovi sobre Gestão, Conselhos e Políticas Culturais.

 

Meu livro “Manual do Conselheiro de Política Cultural – um guia prático para os conselhos municipais de cultura” é referência para a instância mais importante do Sistema de Cultura, o Conselho de Cultura.

 

A TRANSVERSALIDADE É MINHA COMPANHEIRA INSEPARÁVEL

 

SIM! Na EDUCAÇÃO, por exemplo, foi autor, coordenador pedagógico e professor de vários projetos: “Ciranda do Teatro – O papel do teatro na escola”; “A função da arte”, curso para professores do ensino básico em toda rede municipal de ensino do Município de Ilhéus.

 

Criei o projeto ECOTEATRO, no MEIO AMBIENTE, proposta de educação ambiental através dos jogos teatrais, que foi desenvolvido na Educação de Jovens e Adultos, da Rede Municipal de Ensino de Ilhéus. A partir dele escrevi o livro: “Ecoteatro, jogos e exercícios” e “Até Mais Verde”, que foram adotados pelo Colégio da Polícia Militar Rômulo Galvão. 

 

Na SAÚDE escrevi e apresentei vários esquetes falando da importância do DISQUE 100 e de combate à dengue e a Chikungunya, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Ilhéus e o Ministério da Saúde.

Escrevi também inúmeros esquetes de PREVENÇÃO E SEGURANÇA NO TRABALHO, em parceria com o SESI e apresentei nos Municípios de Eunápolis, Porto Seguro, Ipiaú, Itajibá, Itabuna, Ilhéus, entre outros.






AS AÇÕES PARA PESSOAS VULNERÁVEIS (IDOSOS, CRIANÇAS, INDÍGENAS, JOVENS, PESSOAS NEGRAS, SITUAÇÃO DE RUA) SEMPRE ESTÃO PRESENTES

 

SIM! Através da Secretaria de Assistência Social de Ilhéus, fui autor e coordenador do projeto TEATRO JOVEM, onde realizamos diversas oficinas para crianças e jovens de bairros periféricos em situação de vulnerabilidade, sobretudo no bairro Teotônio Vilela e no Banco da Vitória.

 

Ministrei uma oficina gratuita de ESCRITA CRIATIVA para a TERCEIRA IDADE, promovida pelo núcleo especial da Universidade Estadual de Santa Cruz, com a participação de vários idosos acima dos 60 anos da comunidade do entorno do bairro Salobrinho e dos Municípios de Ilhéus e Itabuna.

 

Fui produtor e coordenador pedagógico de dois projetos com a participação da comunidade indígena de Olivença, os Tupinambá. Foram eles: “Tupinambá – Janela da Alma” e “Máscaras que falam”, sobre a importância dos objetos indígenas. Além disso, foi autor e produtor do projeto “Ïndios na Janela”, em 2016. Exposição de peças indígenas que percorreu os municípios de Porto Seguro, Ilhéus e Salvador. Fui também palestrante na Aldeia Acuípe do Meio, em Olivença, sobre a importância da leitura.

 

Participei de encontros como curador, professor de projetos culturais e palestrante no quilombo urbano Porto de Trás, em Itacaré, à convite de produtores culturais e da secretaria de cultura de Itacaré. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

PRÉ-VENDA DE "A ÚLTIMA FLOR JUMA" EM FORMATO FÍSICO






O leitor pediu e aqui está! A versão impressa de A ÚLTIMA FLOR JUMA. 

A última flor juma narra a saga de um pai e três filhas vivendo a beleza e as agruras da vida na Amazônia. Aruká Juma, remanescente da etnia Juma, e suas meninas Estrela D’água, Filha Branca e Menina do Rio lidam com um mundo em contradição. De um lado, a exuberância da floresta, a harmonia da natureza e a magia das histórias. Do outro, a violência e a opressão de contrabandistas, seringueiros, grileiros e madeireiros que se apossam da terra e do trabalho de indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores. A última flor juma é uma história de amadurecimento, uma crítica social contemporânea e uma ode às tradições populares da região amazônica.


O quê?

“A última flor juma” – romance juvenil

Editora: Teatro Popular de Ilhéus

Autor: Pawlo Cidade

Capa: Pita Paiva

Tamanho: 14 X 21 cm

172 p.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

O VERBO



Foto: Canva

“Um verbo é uma palavra que indica acontecimentos representados no tempo, como uma ação, um estado, um processo ou um fenômeno. Os verbos flexionam-se em número, pessoa, modo, tempo, aspecto e voz. As orações e os períodos desenvolvem-se em torno de um verbo”. Até aí nada de novo. Quem fez o ensino regular aprendeu isso no quarto ou quinto ano. Este conceito você também acha no google. O problema está no uso correto do verbo. Eu disse está e não estar! Entende? Diante disso, meu ponto de vista de hoje é uma sugestão do meu amigo Bregueche. Para isso, como não sou professor de português, nem de literatura, precisei ir na gramática para trazer até vocês o uso inadequado dos verbos estar e haver.

Muita gente se propõe a criar blogs, sites, páginas no facebook e maltratam de tal forma o verbo, as concordâncias verbais e o significado das palavras que chega doem os ouvidos. Doe ou doem? Deve ser doem mesmo porque está concordando com os ouvidos. Pois bem, o verbo estar, por exemplo, classificado como um verbo irregular, ocorrem alterações no radical e nas terminações. Exemplo: eles estão, que ele esteja, se eu estivesse. 

No dia a dia a gente tira a sílaba inicial do verbo estar e diz “tá” em vez de estar, tivesse em vez de estivesse, tivemos em vez de estivemos criando, muitas vezes, confusão com o verbo ter. Essa “comida” ou exclusão de sílaba, embora aceitável em linguagem oral, não pode ocorrer em linguagem escrita. Mas ocorre de bocado nos blogs diários de notícias e até mesmo na imprensa oficial.

E o verbo haver? Também sofre quando é trocado. Como o h é uma consoante muda, algumas formas verbais de haver são parônimas. Deixa-me explicar: os parônimos são palavras de sentido diferente e forma semelhante, que provocam, com alguma frequência, confusão. Essas palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com significados diferentes. Os parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma de formas verbais de outros verbos, como houve – com h - e ouve – sem h, haja – com h - e aja – sem h. 

Exemplo: “Houve uma confusão danada na frente da Câmara”. O houve desta frase é com h, porque refere-se ao tempo e está no sentido de existir. Agora, se você diz: “Eu ouvi a confusão toda da praça”, quis dizer que você escutou e não que viu. Entendeu?

Vale salientar que o verbo haver não sofre flexão. Ou seja, você não diz “Haverão mudanças” e sim “Haverá mudanças”. Haver, no sentido de ocorrer ou existir é impessoal. Isso quer dizer que ele permanece na terceira pessoa do singular, pois não tem sujeito. Entendeu, sujeito?


Publicado originalmente no site O tabuleiro, em 04/07/2019.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

BÃO BALALÃO


Criança gosta de brincar! De imitar! De estar no parquinho. 
Quem brinca, educa! 
Esse menino de ouro me inspirou esta historinha! 
O que acharam minhas amigas escritoras? 
Menino de ouro é Bão Balalão que pula, dança, brinca de esconde-esconde e imita dragão! Menino de ouro é Caleb! Menino de ouro que Deus te abençoe! 

Esta historinha é para meu neto Caleb e todos os netinhos e netinhas do mundo! Gostaram?                                 

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

SAIU NO JORNAL" A TARDE", DO DIA 11 DE AGOSTO DE 2024


"Neste Dia dos Pais, reunimos histórias únicas de cinco escritores baianos que se dedicam à literatura infantil e infantojuvenil (A TARDE, 11/08/2024).

(...)

Para o escritor e dramaturgo ilheense Pawlo Cidade, a inspiração para escrever livros infantis e infantojuvenis vem de um filho, um neto e quatro sobrinhos. "Eles sempre são personagens das minhas histórias. Aprendo muito com eles. Ficam encantados quando descobrem que, de repente, são personagens", derrete-se o autor dos livros As aventuras de João e Maria e O menino que sonhava com dragões, ambos infantis.

Os infantojuvenis são O tesouro perdido das terras do sem-fim (inspirado no filho), O caminho de volta, A batalha dos nadadores, O sequestro dos raios de sol e Mistério na lama negra. "O universo infantojuvenil é mais difícil que o do público adulto. Falar para eles é sempre um desafio. O grande lance é escrever como se escrevesse com eles", conta Pawlo, que ao encontrar o neto de dois anos lhe dá de presente um livro e explica a história".




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quarta-feira, 31 de julho de 2024

APOIS...


 

"Eu sou um colecionador de histórias. Gosto de ouvi-las, senti-las, palpá-las. E reconto. O escritor é aquele que retrata suas experiências ao longo da vida. Tudo é um ponto de partida. Tudo é um novo começo. Eu falo destas experiências, destas vivências boas e más. Meus livros estão recheadas delas".

quinta-feira, 25 de julho de 2024

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NA INVENÇÃO DE SANTA CRUZ?



Obra de Pawlo Cidade é inspirada no realismo mágico e na mitologia indígena, e será lançada nesta quinta-feira (25), na Academia de Letras de Ilhéus


Você já ouviu falar na invenção de Santa Cruz? Santa Cruz é uma cidade que está a beira de completar 500 anos e vive dias de calamidade, eleição e acreditando que as coisas não vão mudar. Uma cidade de um povo extremamente festeiro, que se desaba um morro e não tem morte, faz festa. Se tem um acidente, sem morte, faz festa também. Tudo é festa. Até quando alguém morre, tem gente que ainda quer festa. A cidade faz divisa com Renascer, e dizem que ela não foi criada, e sim inventada. Surgiu de repente, em 1534, e as pessoas começaram a invadir e achar que eram donas de tudo. E tudo por causa de um cara chamado Francisco Mero, que quando foi expulso da Vila, no mesmo ano, enterrou uma cabeça de burro na cidade e disse que nada mais ia andar naquele lugar até que alguém encontrasse essa cabeça e, como resultado, os problemas iriam acabar. 

Um certo dia, um prefeito baixou um decreto dizendo que quem encontrasse a cabeça de burro receberia R$500 mil e a comenda. Isso gerou uma confusão, pois a cidade virou queijo suíço, de tanto buraco que cavaram em Santa Cruz. Mas, a medida que as pessoas cavavam o buraco, o prefeito, esperto, já encaminhava a empresa para tapar e não dar tempo para a oposição falar nada. E aí? Estão reconhecendo algo? Mas, chega de spoiler. Essa história faz parte do livro de Pawlo Cidade, e ele mesmo narrou esse trecho durante a entrevista que deu nesta quinta-feira (25), ao programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM. Inspirada no realismo mágico e na mitologia indígena, Paulo relatou que a história vai se desenvolvendo cheia de confusão e é dividida em três partes. "Uma delas é quando o secretário de turismo tem a ideia de tirar a estátua quase centenária de uma praia e mudar para o outro lado do rio. Ele poderia usar outros meios mais modernos, mas acha que seria melhor fatiar o Cristo e isso gera uma confusão miserável", declarou Pawlo. 

O escritor nega que é o prefeito de Santa Cruz, mas admitiu que é um dos personagens dessa cidade curiosa. E você também não ficou curioso? Então não perca o lançamento do livro "A invenção de Santa Cruz", nesta quinta-feira, às 19h, na Academia de Letras de Ilhéus.

Confira a entrevista completa no vídeo acima.

Matéria originalmente publicada no site O tabuleiro.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

PRÉ-VENDA ENCERRADA! OBRIGADO A TODOS QUE ADQUIRAM "A INVENÇÃO DE SANTA CRUZ" NA PRÉ-VENDA



Nossos agradecimentos a todos que adquiram durante a pré-venda, meu novo romance A Invenção de Santa Cruz. O lançamento está marcado para o dia 25 de julho, às 19h, na Academia de Letras de Ilhéus, com direito a bate-papo sobre o processo criativo, bolo de tapioca, chocolate e café! Vai perder?

PRÉ-VENDA LIBERADA! "Greta Garbo, quem diria, esteve em Ilhéus!"

  O aguardado livro "Greta Garbo, quem diria, esteve em Ilhéus!", do autor Pawlo Cidade, já está disponível para reserva. Garanta ...